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mar
18

Por que a sua empresa existe?

Parece uma pergunta fácil e simples de ser respondida. Você pode até achar que essa resposta está na ponta da língua, afinal, quem é que não sabe por que seu próprio negócio existe? Mesmo assim, faça uma reflexão. Pare um pouco e pense nisso.


Pronto, agora você deve estar com as coisas um pouco mais esclarecidas, mas se suas opções de respostas são semelhantes a “porque eu amo o que faço”, “porque meu sonho era empreender”, “porque eu quis abrir meu próprio negócio para não depender de ninguém” ou “para ter mais liberdade”, é melhor pensar de novo. Será que é mesmo por isso que a sua empresa se mantém no mercado até hoje, independentemente do tempo de existência?


É muito fácil confundir o motivo pelo qual sua empresa existe com o que você faz, de fato, ou como faz seus produtos ou serviços. Esta última parte é a dona da resposta fácil das perguntas sobre seu negócio, mas a primeira é mais complexa do que imaginamos, e você vai entender um pouco mais sobre esse assunto nesta reportagem.


Talvez você já tenha ouvido falar ou até visto algo a respeito do autor e palestrante britânico Simon Sinek, que é uma referência no universo do empreendedorismo. Sinek afirma que o que deve guiar a forma de atuação de uma empresa é o seu porquê, o motivo, o propósito – e já, já vamos falar um pouco mais sobre essa palavrinha que está até um pouco banalizada, mas que tem um sentido importantíssimo tanto na vida pessoal como profissional das pessoas.


Mas por que Sinek afirma isso? Porque o segredo da “coisa” está em fechar negócio com quem acredita naquilo que você faz, no mesmo ideal que você tem e quer contribuir com a realização disso. Como chegar até esse ponto e por que ele é tão importante é um assunto que você vai poder conferir daqui a pouco, tá?

 

O que é esse tal de propósito?

O Dicionário da Língua Portuguesa nos apresenta duas definições de propósito, que já servem para esclarecer bem o que é essa palavrinha que anda famosa nos últimos anos. Propósito é “intenção (de fazer algo); projeto, desígnio” e “aquilo que se busca alcançar; objetivo, finalidade, intuito”, ou seja, é o que norteia toda a sua empresa. “Propósito é sobre objetivo, pois significa sentido, significado (de fato), motivo para ser. E, para mim, todas as pessoas, empresas e profissões têm um propósito em comum, que é o de servir pessoas e promover soluções. O propósito responde a um por quê”, explica o gestor, escritor e pastor Ronan Silva.

É fato: todo negócio precisa de um propósito, um porquê para existir, independentemente do ramo, segmento, atuação ou do que oferece ao cliente final. Esse motivo norteador deveria ser definido antes do lançamento da empresa no mercado, ou seja, quando os planos ainda estivessem no papel, para que todo o resto andasse alinhado com o objetivo principal da marca. Afinal, quem mira em nada, acerta em cheio, né? 


O segredo de desenvolver um “porquê” para sua empresa está em mirar, focar, alinhar. O alinhamento entre tudo o que você faz e entre todos que fazem, desde o colaborador até o fornecedor e o cliente final. Sim, você precisa posicionar até mesmo quem consome seu produto ou serviço!

A razão da existência da sua empresa é fundamental para o bom andamento de todos os processos envolvidos no trabalho, pois assim, todos irão compreender pelo que a sua marca luta, o que ela busca e contribuir para alcançar e defender essa “causa”, por mais simples que seja. Isso gera uma grande conexão interna, uma organização, melhora o fluxo de trabalho, cria oportunidades, cria engajamento e motivação na equipe – e tudo isso é refletido lá fora, para o consumidor. “O propósito é, basicamente, ‘por que eu faço isso?’, ‘qual o motivo disso?’. Como gestor, experimentei na prática e é muito simples: empresas que têm uma clara definição de seu propósito conseguem engajar muito mais os seus colaboradores em uma missão (que é como você vai cumprir, na prática, o seu propósito – e esse resultado deve ser o que você faz, como seu negócio atua). Quando há clareza de propósito, a empresa não somente sabe para onde vai e consegue comunicar isso para seus colaboradores, dizer para onde estão apontando, qual é o foco, como também consegue dar sentido ao trabalho. Como quando há aquele trabalhador lá da ponta, que pode ser um operador de planilhas, por exemplo, que trabalha simplesmente alimentando e gerando arquivos de Excel e, por mais que a atividade dele seja rotineira e monótona, ele sabe que aquilo cumpre uma missão dentro de um propósito muito grande dentro de uma empresa”, esclarece Ronan.


Opa, agora parece muito melhor do que imaginamos, né? Esse tal de propósito é um fator que agrega muito valor à sua empresa! E é dessa forma que você vai garantir que até mesmo quem contrata, compra ou consome seus produtos ou serviços esteja nesta mesma “vibe”, assegurando que seja um cliente que acredita naquilo que a empresa faz. E isso vai muito além do consumo em si, pois ter um propósito claro muda tudo: muda a forma como você desenvolve novos produtos e serviços, a forma como você se comunica, a forma como é feito seu marketing e a forma como você se relaciona interna e externamente. 


Ter um propósito que luta por algo maior do que o lucro, a venda ou o consumo também engaja o seu cliente, ajudando-o na fidelização e no compartilhamento da sua marca. Sabe aquele negócio de “boca a boca”? Funciona muito melhor quando as pessoas conhecem o seu porquê.


Então agora que você já sabe para que serve um propósito (para nortear os rumos do seu negócio), que tal começar a desenvolver um? Não importa se a sua empresa tem 1 ou 20 anos de trajetória, o importante é que todo negócio precisa ter um “motivo maior” definido.

 

Entendi tudo, mas não acho que se encaixa na minha proposta

Então, na verdade, você não entendeu. TODO negócio, de qualquer segmento, deve ser norteado pelo seu motivo maior de existência, porque se não tem, é muito provável que você se perca no caminho sem essa definição (ou até mesmo que você já esteja perdido! Pare um pouco e analise sua empresa). A motivação pela qual seu negócio existe é o que mantém as coisas nos trilhos.

Uma empresa com propósitos vê muito além dos números. Vê que um negócio é feito por pessoas e para pessoas, que deve gerar oportunidades para todos e abrir mão daquilo que não condiz com seu posicionamento. E isso inclui, muitas vezes, deixar de lado algo que não passaria de lucro momentâneo para valorizar aquilo que agrega valor, que traz resultados a longo prazo – e, aí sim, os lucros virão muito mais certeiros e efetivos, pois não serão números, somente, e sim razões. “Somado ao propósito, ainda temos a vocação, que te ajuda a responder esse 'como', pois são suas aptidões, talentos, habilidades, recursos e qual é a sua tendência e o seu perfil de atividade. Somando tudo isso é que se tem clareza de que servir pessoas e promover soluções é agir com direcionamento acertado, dando clareza a todos se querem fazer parte disso ou não. Quando a empresa tem um propósito claro, o colaborador pode decidir se quer dedicar sua vida nesse projeto e se quer fazer parte do projeto, porque sabe para onde está indo. E, principalmente, essa soma [citada acima] conecta as pessoas [clientes e colaboradores] com a missão principal da empresa, que é como ela serve a comunidade”, destaca Ronan.

 E quem reforça isso, mais uma vez, é o palestrante Simon Sinek, que afirma que as pessoas não querem mais comprar o produto que as empresas vendem por si só, mas querem fazer parte do que as empresas fazem, querem contribuir com aquela causa maior definida pela marca. 

Sinek afirma que há um desejo no ser humano em fazer parte de ações e atitudes mais engajadas que proporcionem uma melhora em algum aspecto da vida e, segundo o palestrante, isso não tem preço, porque comprar ideias está muito além de comprar simples objetos. É só você parar para analisar empresas engajadas em causas esclarecidas (muito comum ver isso em marcas veganas, à favor dos animais, contra a exploração infantil, que contribuem com a educação, etc).

O que você precisa entender aqui é que a sua motivação não pode ser apenas empreender pelo dinheiro, porque assim você não vai chegar a lugar algum. Isso acaba desestabilizando as estruturas internas do negócio, atrai pessoas desinteressadas pelo bem da empresa, descompromissadas e que estão ali pelo salário, simples e somente. E é muito provável que você não queira isso, certo? Todo empresário tem o desejo de poder contar com uma equipe engajada, comprometida e que se esforça junto com seus líderes para ver o negócio crescer, afinal, o colaborador faz – e se sente – parte disso (assim como o cliente!). “Uma definição muito clara de propósito no âmbito empresarial faz com que seu colaborador não tenha simplesmente um trabalho para ganhar dinheiro, mas consiga ver um propósito em contribuir para a sociedade com aquilo que faz”, explica Ronan Silva

 

Gostei desse negócio! Mas e o lucro, fica onde?

 

Como o papel do propósito é te levar além das suas próprias certezas e convicções, fica muito mais fácil você mesmo ser surpreendido (e impactar todos à sua volta) com ideias inovadoras que surgem nessa busca por realizar aquilo que sua empresa anseia, e é aí que entra o lucro.


É muito simples encontrar novos caminhos que levam ao mesmo destino final se você sabe onde quer ir, assim como se torna mais fácil encontrar novidades nessa trilha, que vão chamar ainda mais atenção do público e, como esperado, vender muito mais.


Pense no poder que uma ferramenta nova, um produto inovador ou um serviço reconstruído tem, junto com uma causa maior, para agregar ainda mais valor à sua marca. É poderoso! 

Prova disso são as empresas que mudaram sua visão de negócios: passaram de meros trabalhadores para equipes engajadas, como a GWD Advogados Associados, escritório de advocacia que passou pela transformação interna de definir um propósito e buscar realizá-lo todos os dias. Segundo o advogado, sócio-sênior e diretor-geral da GWD, Jair Antonio Wiebelling, esse tipo de posicionamento deve vir da alta gestão da empresa, deve nascer com o dono, para que todos os demais tenham como exemplo. “Se o próprio empresário não tem um propósito e uma missão tanto de vida como profissional definidos, não tem como arrebanhar as pessoas para aquilo. Ele precisa viver essa definição todos os dias, precisa olhar todo dia para a casa que se propõe a construir e colocar um tijolo nela. E se isso não vier do dono da empresa, a equipe não vê. É preciso viver isso todos os dias, não uma vez por semana olhando relatórios e vendo se a empresa produziu. É necessário ver se a sua equipe está feliz, está bem. E outra, colocar no papel é lindo, sim, mas viver é ainda mais. Bem-vindo ao mundo de quem quer ter sucesso, que é viver o seu propósito todo dia, ensinando as pessoas, aprendendo com elas, tendo humildade. A pessoa de sucesso só se torna de sucesso porque é humilde, porque pede ajuda, corre atrás todos os dias. A pessoa de sucesso contribui e serve”, afirma o advogado.

Jair conta que, para inserir o propósito de trabalho do escritório, foi preciso sair da zona de conforto e acompanhar a equipe diariamente, participar da rotina e investir tanto no lado profissional como humano de seus colaboradores. “Eu já tive esse pensamento de que o meu funcionário bate o ponto, ganha o salário, faz o que determino e só. Hoje nós criamos, dentro do setor de gestão, um sistema de treinamentos e evolução de carreira e, no início, foi instituído o número de 60 treinamentos para serem feitos em 6 meses. Nos empenhamos e, no fim, foram feitos 384 treinamentos e não só 60. Isso faz parte da nossa missão interna e ajuda a construir nosso propósito. É preciso formar pessoas e profissionais. É comum o empresário estipular missão, visão e valores, definir um propósito e esquecer disso tudo. Mas o normal é viver isso, e nós temos que viver pelo que é normal e não pelo que é comum, pois aí sim as coisas darão certo”, conta Jair.

E é dessa forma que o lucro é agregado: ao valor. A valorização e capacitação de todo o quadro de colaboradores, somada à definição do seu “motivo maior” para atuar, resulta na busca incessante por evolução pessoal e profissional. E o resultado? Cada vez mais destaque no mercado, mais visibilidade, mais referência e autoridade na atuação. E é dessa maneira que o lucro vem.

 

 

Como funciona na prática

 

“Projetar missão, propósito e valores pode ser algo difícil de se encontrar no início, mas são conceitos que, estabelecidos, nortearão todos os esforços do empresário e equipe para alcançarem tudo o que almejam” – Everton Feitosa de Lima, contador e advogado.


A Brunetto Consultoria, Auditoria e Contabilidade está no mercado há 22 anos e passou por reestruturações ao longo do tempo, que a fizeram ser referência, mas todas as mudanças vieram acompanhadas da certeza de que tudo estava alinhado com seu propósito de existência. No começo, o escritório funcionava atendendo apenas demandas básicas de contabilidade, mas Claudio Brunetto, contador e sócio-proprietário, junto com seus poucos colaboradores na época, aplicavam todo o conhecimento adquirido para fazer a então Brunetto Contabilidade crescer. “Começamos como todo mundo: pequeno e devagar, mas aplicamos toda a experiência adquirida em grandes escritórios nos serviços que prestávamos. A gente estava sempre atualizado do que o mercado fazia e atento às oportunidades que iam surgindo, mas antes de nos lançarmos nelas, analisávamos se aquilo se enquadrava ou não no perfil da empresa. Ao longo dos anos, percebi, junto com minha equipe, que a consultoria de empresas dava um retorno significativo mesmo exigindo mais qualificação por parte de todos os envolvidos, e foi aí que decidimos expandir, pois vimos essa necessidade de agregar o serviço ao que já oferecíamos”.

Quando o contador e advogado Everton Feitosa de Lima passou a ser também um sócio da Brunetto, com a implementação dos serviços de consultoria, o entendimento de que propósito, missão e valores são itens de extrema importância para o direcionamento dos negócios ganhou ainda mais peso. “Compreender esse assunto é carregar a sua marca de cultura de valores e transpor isso para quem está trabalhando com a gente, como parceiros e fornecedores, para que todos entendam o impacto que a nossa atividade pretende deixar na sociedade e em nós mesmos”, comenta Everton.

Auxiliar as empresas a se desenvolverem e crescerem tendo conceitos bem definidos faz parte da missão, valores e propósito da Brunetto. “Isso contribui com a estabilidade da empresa e a geração de riquezas, faz com que possamos ter um olhar especial para os nossos colaboradores, no desenvolvimento pessoal, pois esse propósito acaba sendo um objetivo interno com as pessoas que fazem parte disso, para que sejam profissionais de excelência, beneficiando tanto a empresa como a si mesmos. Além disso, reflete nos nossos parceiros e clientes, pois têm, assim, as melhores opções de mercado, conseguindo prosperar em seus negócios. As coisas giram em torno do propósito, ele é o foco”, explica o advogado. Esse é o peso que o “motivo maior” da sua empresa tem. 

Além do porquê, ainda existe a missão da empresa, que está relacionada ao que se faz, em si, e não tanto ao impacto que você quer gerar (este é papel do propósito). Analisar questões mais práticas como: “O que pretendo com a minha missão?” ou “o que quero deixar para a sociedade, para meus filhos, colegas e sócios?”, parece uma diferença sutil, pois missão e propósito podem estar contidas uma na outra, como explica Everton. “Mas o propósito está mais relacionado ao resultado que a empresa e todos que fazem parte dela pretendem deixar para a sociedade como um todo, do que com os demais objetivos, é mais abrangente e impactante”.

Isso até parece assunto de multinacional, de empresas gigantes, mas não é. O micro e o pequeno empresário precisam ter esses pontos definidos também. “Eu entendo que é de extrema importância, porque mesmo que você comece pequeno, todos precisam buscar um diferencial no mercado para não serem apenas ‘mais um’, seja um diferencial no preço, na qualidade, no produto, na inovação, no atendimento, no pós-venda... E se você trabalha sem um motivo específico para fazer isso, sem visualizar o porquê, o como, o quando, no meio do caminho você pode ter dificuldades e pode desviar o foco. Pode enxergar mais uma oportunidade financeira repentina que, naquele momento seria interessante, mas a médio ou longo prazo, talvez não seja a melhor opção, pois você acaba se desvirtuando do porquê a empresa foi criada. E isso é importante para poder direcionar o dia a dia empresarial e a tomada de decisões”, esclarece Everton.


Já que agora você aprendeu um pouco mais sobre propósito e alinhamento, chegou a hora de pôr a mão na massa. Afinal, não há como espelhar para o cliente aquilo que não se vive, né? Para te ajudar com isso, você pode contar com o conhecimento dos profissionais de consultoria das mais diversas áreas, que irão apontar caminhos a serem percorridos com base na pergunta “por que a sua empresa existe?”. 


Mas nós também vamos te auxiliar. Pegue papel e caneta e responda as perguntas abaixo com bastante calma, anotando o máximo de pontos possíveis que surgirem à sua mente após refletir sobre cada uma delas.

 

 

“Quem a sua empresa nasceu para ser?” – Imagine que sua empresa é você e defina um objetivo para que ela cumpra todos os dias para exercer seu papel na sociedade.

 

“Para que ela foi criada?” – Defina um motivo específico pelo qual ela foi criada, e se ele não for congruente com o seu objetivo profissional de hoje, você pode começar a reformular o porquê do seu negócio. Responda novamente a pergunta imaginando que você fosse abrir sua empresa hoje: por que você estaria fazendo isso?

 

“Na sua empresa, quais foram os erros cometidos e o que eles te ensinaram até aqui?” – Elenque todos eles e busque encontrar as razões pelos quais ocorreram e o que você faria hoje para evitá-los e também para resolvê-los.

 

“Como a sua empresa é vista no mercado e como você gostaria que ela fosse reconhecida?” – Esta é uma análise de onde você está e aonde quer chegar, mas é importante você escrever passos práticos (que possam ser realizados todos os dias) para alcançar o objetivo final.

 

“O que a sua empresa está deixando para as próximas gerações?” – Alguém plantou as sementes dos frutos que você colhe hoje, mas o que você está plantando para as gerações futuras? Sua empresa está contribuindo para deixar um bom legado na sociedade?