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abr
16

Em isolamento, artesã pendura máscaras no portão de casa para doação: 'Usar minha habilidade para ajudar'

Um cartaz e tecidos coloridos cuidadosamente embrulhados e pendurados em uma casa de Ponta Grossa, na região dos Campos Gerais do Paraná, têm chamado a atenção da vizinhança e de quem por ali passa.

Na residência, no bairro Jardim Carvalho, mora a artesã Cirineide Marochi. Isolada há mais de 30 dias por causa do coronavírus, ela está fazendo máscaras para doação e pendurando a produção no portão da própria casa.

Ponta Grossa tem seis casos confirmados da Covid-19, segundo boletim da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa). No Paraná, até esta quinta-feira (16), são 816 diagnósticos e 41 mortes.

Cirineide disse que não põe o pé para fora de casa desde que voltou de uma viagem para os Estados Unidos, no dia 13 de março, por conta da idade.

Bancária aposentada, a mulher trocou a rotina da agência pela arte há quatro anos. Religiosa, diz ter o coração tocado mais uma vez durante a pandemia.

"Nesses dias veio em meu coração para que eu fizesse as máscaras com o material que tivesse em casa, mas que não era pra eu cobrar", lembrou.

Início dos trabalhos

A produção das máscaras começou há pouco mais de 10 dias após uma publicação na internet. Depois disso, Cirineide disse que algumas pessoas começaram a entrar em contato para fazer encomendas.

Logo a artesã percebeu que estava em contato com gente de toda a cidade, mas, por outro lado, faltava ajudar os vizinhos. Foi por isso que resolveu pendurar um cartaz no portão de casa.

"Eu peguei um caderno e comecei a anotar as encomendas, mas nesses dias eu pensei: 'gente, e o pessoal da minha rua?' Minha filha fez o cartaz e colocou ali na frente de casa", disse.

Com corações e um emoji usando máscara, o cartaz traz a seguinte mensagem: "Aqui tem uma artesã. Pegue uma máscara, é de graça. Leve uma só".

A artesã conta que o marido dela também estendeu a mão para ajudar e está cortando os tecidos.

"Tem gente que aproveita da situação para cobrar preços exorbitantes. Tenho que usar essa habilidade que Deus me deu para ajudar as pessoas, é uma benção ajudar o próximo", afirmou.

'Quero fazer'

Cirineide não deixou de lado as encomendas de artesanatos que faz, como enxovais, peças para animais e cozinha. Por outro lado, ela conta que agora a prioridade são as máscaras.

A artesã disse que trabalha cantando, mas que às vezes fica sensível e chora vendo a situação causada pela pandemia.

Desde que iniciou o trabalho, ela acredita ter produzido mais de 200 máscaras. Mesmo assim não quer saber de números.

"Eu não tenho muita noção, minha filha até falou para eu contar, mas para quê? Eu não quero me achar, quero fazer. Uma máscara é um pouquinho, mas esse pouquinho vai ser bem útil, porque essas pessoas estão se protegendo."

Apesar de não cobrar pelas máscaras, pessoas que quiserem apoiar o trabalho da artesã podem contribuir com a doação de elásticos e metros de tecido de algodão, de preferência espesso.

Fonte: G1 - https://mla.bs/7a1f5792